Corpo do líder bolivariano será levado para uma academia militar, onde ficará até o funeral de sexta-feira
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David Fernández/Efe
Cortejo fúnebre de Chávez deixa o hospital militar
Dezenas de milhares de "chavistas" marcharam atrás do caixão do
presidente, envolto na bandeira nacional azul, vermelha e amarela da
Venezuela. Muitos choravam enquanto soldados com boinas vermelhas
carregavam seu caixão pelo centro de Caracas, e autofalantes tocavam
canções cantadas por Chávez.
Encerrando um dos regimes populistas mais notáveis da América Latina, Chávez morreu na terça-feira, aos 58 anos, depois de uma batalha de quase dois anos contra o câncer que foi detectado na região pélvica. Seu corpo será levado para uma academia militar, onde ficará até o funeral de sexta-feira.
O futuro das políticas esquerdistas de Chávez, que ganhou a adoração
dos venezuelanos pobres, mas enfureceu adversários que o acusavam de
ditador, agora recai sobre os ombros do vice-presidente Nicolás Maduro, o
homem indicado por Chávez para sucedê-lo.
"Na imensa dor dessa tragédia histórica, que tem afetado a nossa
pátria, apelamos a todos os compatriotas para estarem vigilantes pela
paz, amor, respeito e tranquilidade", disse Maduro. "Nós pedimos que o
nosso povo canalize essa dor em paz."
Maduro, de 50 anos, ex-motorista de ônibus e líder sindical, provavelmente enfrentará o governador de oposição Henrique
Capriles na próxima eleição presidencial. Autoridades disseram que a
votação seria convocada dentro de 30 dias, mas não estava claro se isso
significava que seria realizada dentro de 30 dias ou apenas se a data
será anunciada nesse período.
Há muita coisa em jogo para a região, devido à ajuda econômica
crucial e o combustível barato que o governo Chávez fornece aos aliados
em toda a América Latina e Caribe. Uma recente pesquisa de opinião
mostrou Maduro com ampla liderança sobre Capriles, em parte porque ele
recebeu a bênção de Chávez como seu herdeiro. É provável ainda que ele
se beneficie da onda de emoção após a morte do presidente.
O alto e bigodudo Maduro era um aliado próximo de Chávez há muito
tempo. Ele imediatamente prometeu continuar seu legado e não deve fazer
grandes mudanças políticas logo.
Maduro agora vai se concentrar em reunir apoio da diversa coalizão de
Chávez, que inclui ideólogos de esquerda, líderes empresariais e grupos
armados radicais chamados de "coletivos".
Alguns têm sugerido que ele poderia tentar aliviar as tensões com
investidores e o governo dos EUA, embora, horas antes da morte de
Chávez, Maduro tenha afirmado que os "imperialistas" inimigos tinham
infectado o presidente com o câncer como parte de uma série de
conspirações com os adversários internos.
"NÃO SE ASSUSTEM"
Uma vitória de Capriles traria profundas
mudanças à Venezuela e seria bem recebida por grupos empresariais e
investidores estrangeiros, embora seja provável que ele agisse de forma
cautelosa para reduzir o risco de violência e instabilidade política.
"Não é hora de salientar o que nos separa", disse Capriles em nota na
noite de terça-feira, em que pediu união e respeito pelo luto dos
chavistas.
"Há milhares, talvez milhões de venezuelanos que estão se perguntando
o que irá acontecer, que até sentem medo...Não se assustem, não fiquem
ansiosos. Entre todos nós, vamos garantir a paz que este amado país
merece."
Comandantes militares rapidamente juraram lealdade a Maduro, que será
o presidente interino até a eleição. O ministro da Defesa, Diego
Morales, disse que uma salva de 21 tiros de canhão em homenagem a Chávez
foi disparada nesta quarta-feira.
Não estava claro onde Chávez seria enterrado. Ele tinha ordenado a
construção de um novo mausoléu no centro de Caracas para os restos
mortais do herói da independência Simon Bolívar, sua inspiração, e o
prédio deve estar terminado em breve. "Ao panteão!" gritavam os
partidários de Chávez durante a parada de quarta-feira, que foi liderada
por Maduro bem à frente do cortejo.
O influente parlamentar "chavista" Freddy Bernal disse que Chávez
deveria ser posto para descansar ali, também: "Por seu brilhantismo
político e compromisso com o país, o comandante Chávez mereceu seu lugar
ao lado do libertador Simon Bolívar no panteão".
A maior parte de Caracas estava calma durante a noite, com as ruas
desertas, especialmente nos bairros mais ricos. Temendo saques, muitas
lojas fecharam após a divulgação da notícia da morte de Chávez. Havia
longas filas em frente aos postos de gasolina.
Centenas de partidários "chavistas" emocionados permaneceram em
frente ao hospital militar onde ele passou suas últimas duas semanas de
vida. Uma repórter de televisão da vizinha Colômbia foi espancada, e
tiros foram disparados para o ar. "Chávez vive, a luta continua!",
gritavam os partidários nas ruas.
Apesar de terem tido várias semanas para se acostumarem com a
iminência da morte do líder, muitos chavistas não escondiam sua
tristeza. "Ele era o nosso pai", disse Nancy Jotitya, de 56 anos, que
soluçava na praça Bolívar, no centro da capital. "Ele nos ensinou a nos
defender. O chavismo não acabou! Nós somos o povo. Vamos lutar!"
Houve tristeza também em outros países latino-americanos,
especialmente naqueles com governos esquerdistas habituados a receberem
ajuda econômica venezuelana - caso de Cuba, que se recuperou da ruína
financeira da década de 1990 em grande parte graças a benefícios
oferecidos por Caracas na venda de petróleo.
O presidente boliviano, Evo Morales, voou para a Venezuela na quarta-feira para se unir à lamentação. Os presidentes da Argentina e do Uruguai também chegaram ao país antes do amanhecer, disse a mídia estatal.
Chávez governou a Venezuela por 14 anos e foi reeleito por ampla
margem para mais seis anos em outubro, derrotando Capriles. Não chegou,
no entanto, a tomar posse nesse novo mandato, que começou oficialmente
em 10 de janeiro. (O Estadão)
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