Entidades da magistratura emitem nota conjunta reclamando da comparação entre magistrados e procuradores feita por ministro
Entidades da classe da magistratura emitiram nota reclamando da comparação feita pelo ministro Joaquim Barbosa, entre magistrados e procuradores, durante uma entrevista a veículos de comunicação internacionais.
"As entidades de classe da magistratura, lamentavelmente, não têm sido ouvidas pelo presidente do STF. O seu isolacionismo, a parecer que parte do pressuposto de ser o único detentor da verdade e do conhecimento, denota prescindir do auxílio e da experiência de quem vivencia as angústias e as vicissitudes dos aplicadores do direito no Brasil", diz a nota conjunta das associações dos Juizes Federais (Ajufe), dos Magistrados Brasileiros (AMB) e dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra).
Em entrevista dada a repórteres internacionais, o presidente do Supremo Tribunal Federal fez uma comparação entre as carreiras jurídicas. Segundo o ministro, apesar de serem muito próximas, as mentalidades de cada carreira são absolutamente diferentes. "As carreiras de um juiz ou de um procurador ou promotor de Justiça são muito próximas. Os concursos são os mesmos, a remuneração é a mesma, o pessoal quase todo sai das mesmas escolas. Uma vez que se ingresse em uma dessas carreiras, as mentalidades são absolutamente díspares. Uma é mais conservadora, pró ‘status quo’, pró impunidade. E a outra é rebelde, contra ‘status quo’, com pouquíssimas exceções", disse Barbosa.
Para as entidades de magistratura, a comparação feita por Barbosa no quesito mentalidade de cada carreira é totalmente incabível. "Causa perplexidade aos juizes brasileiros a forma preconceituosa, generalista, superficial e, sobretudo, desrespeitosa com que o ministro Joaquim Barbosa enxerga os membros do Poder Judiciário brasileiro", dizia a nota. Segundo as entidades, o problema da impunidade no Brasil decorre de causas mais complexas que a reducionista ideia de um problema de mentalidade dos magistrados.
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