Cid Gomes critica Lula por lançar candidatura Dilma

O governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), disse nesta
quarta-feira que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva "errou" ao
lançar a candidatura da presidente Dilma Rousseff à reeleição com tanta
antecedência e negou estar agindo para sabotar o governador de
Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), provável adversário do PT na disputa
de 2014.
"Eu já disse ao Lula e à presidente Dilma: ''Eu não sou quinta
coluna''. Quem achar que pode contar comigo para fazer papel de quinta
coluna e sabotar o meu partido, o presidente do meu partido, vai quebrar
a cara", afirmou Cid, após participar de cerimônia no Palácio do
Planalto, numa referência a Campos, que comanda o PSB.
Nos últimos dias, o governador do Ceará e o ex-ministro Ciro Gomes
(PSB), irmão dele, criticaram a pretensão de Campos de se lançar ao
Palácio do Planalto. Cid disse que "falta chão" ao colega para concorrer
à Presidência e Ciro afirmou que o pernambucano deveria ter "a
dignidade" de entregar os cargos no governo. O PSB comanda hoje dois
ministérios: o de Portos e o da Integração Nacional.
Ao ser questionado pela reportagem se fizera um acordo com Lula e
Dilma para minar a pré-candidatura de Campos, Cid não escondeu a
insatisfação com os comentários. Foi aí que disse não ser "quinta
coluna". "Eu me julgo no direito de defender o que considero melhor
estrategicamente para o País, para o Estado e para o meu partido",
insistiu o governador do Ceará. "Mas não pensem que vou sabotar o PSB. O
que o partido democraticamente decidir, eu acatarei", emendou, negando
planos de deixar a legenda.
Cid ressalvou, porém, que a campanha deveria ser tratada somente no
ano que vem. "Pelo meu gosto seria assim", disse. Com esse diagnóstico, o
governador do Ceará afirmou que Lula "agiu errado" ao lançar Dilma com
um ano e oito meses de antecedência.
"Eu aprendi que o correto, para quem está no governo, é deixar tudo
para a última hora. Precipitar o debate eleitoral só acirra os ânimos e o
governo precisa de um ambiente mais tranquilo no Congresso, para
aprovar os seus projetos", comentou ele. Mesmo com a ressalva, Cid
defendeu, mais uma vez, a reedição da aliança com Dilma, agora com o PSB
na vice, e não mais com o PMDB de Michel Temer. "Acho que é
estrategicamente melhor nos fortalecermos, lutarmos pela vice e nos
prepararmos para um projeto nacional, em 2018", argumentou. (O Estadão)
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