sábado, 8 de novembro de 2014

Gasolina está mais cara

Último aumento dos combustíveis no País foi anunciado em 29 de novembro do ano passado

 

  O preço da gasolina sobe 3% a partir desta sexta-feira (7). O anúncio do aumento foi divulgado na noite de quinta-feira (6), pela Petrobras. Segundo comunicado, a alta, tanto da gasolina, quanto do diesel (+ 5%), começa a valer nas refinarias a partir da 0h.

O reajuste já era esperado pelo mercado e deve dar algum alívio para o caixa da estatal, além de pressionar os índices da inflação oficial, que está 0,25% acima do teto da meta estabelecida pelo governo, de 6,5%.

A alta, que terá impacto nos preços da bomba de combustível, foi divulgada após a Petrobras ter indicado que não havia decisão quanto ao aumento de preços.
O último aumento dos combustíveis no País havia sido anunciado em 29 de novembro do ano passado, quando a Petrobras elevou o preço da gasolina nas refinarias em 4% e do diesel em 8%.

Na última terça-feira (4), a presidente da Estatal, Graça Foster, desconversou ao ser questionada sobre um possível aumento nos preços do combustível. Ela limitou-se a dizer que reajustes não são anunciados na portaria da empresa.

— Aumento da gasolina não se anuncia, pratica-se.

Inflação
Para o economista sênior do Espírito Santo Investment Bank, Flavio Serrano, o impacto do aumento da gasolina na inflação oficial, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), não deve ser muito alto, porque a alta de 3% vale apenas para a refinaria.

— Com esse aumento da gasolina, o IPCA deve fechar novembro com inflação em torno de 0,6%.
Segundo ele, há grandes chances de a inflação no ano passar do teto da meta em 2014 — de 4,5% ao ano, com tolerância de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo —, mas vai depender ainda do que deve acontecer em dezembro.
O último mês do ano, no entanto, costuma ter pressões de alimentos e passagens aéreas. Então o cenário para inflação no fim do ano é ruim, acrescentou ele.
No diesel, o impacto direto no IPCA é muito pequeno, segundo o economista, com maior efeito nos IGPs (Índices Gerais de Preço).

Fôlego
Os preços mais caros dos combustíveis devem dar ainda algum fôlego para a empresa que tem um dos maiores planos de investimento do mundo corporativo, com dívida crescente, fator que levou a agência de classificação de risco Moody's a rebaixar o rating da estatal em outubro.

A divisão de abastecimento da estatal tem acumulado perdas bilionárias nos últimos anos por conta da defasagem de preços dos combustíveis vendidos no Brasil em relação aos preços de importação.

Apenas recentemente, com a acentuada queda do petróleo e o impacto do valor da commodity na cotação dos combustíveis no exterior, a defasagem do preço foi sendo reduzida e, no caso da gasolina, até chegou a deixar de existir.
Com o reajuste, a gasolina deverá ficar 4% mais cara no Brasil em relação ao mercado externo, e o diesel vai ficar na paridade, segundo cálculos do CDIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura). Antes do reajuste, a gasolina estava cerca de 1% mais cara no Brasil e o diesel em torno de 4% a 5% mais barato, segundo o centro.

 

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